quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Fauna e Flora




Parque Natural de Montesinho, no nordeste português.
O clima e a diversidade geográfica moldaram a flora portuguesa. No que diz respeito àsflorestas portuguesas estão muito difundidas, por razões económicas o pinheiro (especialmente as espécies Pinus pinaster e Pinus pinea), o castanheiro (Castanea sativa), o sobreiro (Quercus suber), a azinheira (Quercus ilex), o carvalho português (Quercus faginea) e o eucalipto (Eucalyptus globulus).
A fauna de mamíferos é muito variada e inclui a raposatexugolince ibéricolobo ibérico,cabra selvagem (Capra pyrenaica), o gato selvagem (Felis silvestris), a lebre, a doninha, o brabo, o mangusto (Herpestidae), Gineta, e avistamentos de urso pardo (perto do Rio Minho, perto da Peneda-Gerês) e muitos outros. Portugal é um lugar de paragem importante para aves migratórias que se deslocam entre a Europa e África, em lugares como o Cabo de São Vicente ou a Serra de Monchique, onde podem ser vistos milhares de pássaros que voam a partir da Europa para África no Outono ou no sentido oposto naPrimavera. Portugal tem cerca de 600 espécies de aves e quase todos os anos há novos registos. As ilhas dos Açores e da Madeira têm algumas espécies de origem americana, europeia e africana, enquanto o continente regista espécies de aves de origem europeia e africana.
Camaleão da região do Algarve.
Portugal tem mais de 100 espécies de peixes de água doce que variam desde o bagre gigante europeu (Parque Natural do Tejo Internacional) a pequenas espécies endémicas que vivem apenas em pequenos lagos (Zona Oeste, por exemplo). Algumas destas espécies raras e específicas estão altamente ameaçadas devido à perda de habitat, poluição e secas. As águas marinhas portuguesas são umas das mais ricas em biodiversidade do mundo. As espécies marinhas são na ordem dos milhares e incluem a sardinha (Sardina pilchardus), o atum e a cavala do Atlântico. A bioluminescência marinha está muito bem representada (em espectros de diferentes cores e formas), com fenómenos interessantes, como o plâncton brilhante, que é possível observar em algumas praias. Em Portugal também é possível observar o fenómeno de ressurgência, especialmente na costa oeste, que torna o mar extremamente rico em nutrientes e biodiversidade.

Demografia

População de Portugal (INELisboa)
AnoTotalVariaçãoAnoTotalVariação
14221 043 274-19005 423 132+7,4%
15271 262 376+21,0%19115 960 056+9,9%
16361 100 000-12,9%19206 032 991+1,2%
17362 143 368+94,9%19306 825 883+13,1%
17702 850 444+33,0%19407 722 152+13,1%
17763 352 310+17,6%19508 441 312+9,3%
18012 931 930-12,5%19608 851 289+4,9%
18112 876 602-1,9%19708 568 703-3,2%
18383 200 000+11,2%19819 852 841+15,0%
18493 411 454+6,6%19919 862 540+0,1%
18644 188 410+22,8%200110 356 117+5,0%
18784 550 699+8,6%200710 617 575+2,5%
18905 049 729+11,0%Fontes: [66][67][68]
Os dados sobre a composição genética dos Portugueses apontam para a sua fraca diferenciação interna e base essencialmentecontinental europeia paleolítica[69]É certo que houve processos démicos no Mesolítico (provável ligação ao Norte de África) eNeolítico (criando alguma ligação com o Médio Oriente, mas bastante menos do que noutras zonas da Europa), tal como as migrações das Idades do Cobre,Bronze e Ferro contribuíram para a indo-europeização da Península Ibérica (essenciamente uma «celtização»), sem apagar o forte carácter mediterrânico, particularmente a sul e leste. Aromanização, as invasõesgermânicas, o domínio islâmicomouro, a presença judaica e a escravatura subsariana terão tido igualmente o seu impacto e a sua contribuição démica. Podem mesmo listar-se todos os povos historicamente mais importantes que por Portugal passaram e/ou ficaram: as culturas pré-indo-europeias daIbéria (como Tartessos e outras anteriores) e seus descendentes (como os cónios, posteriormente «celtizados»); os protoceltas e celtas (tais como os lusitanosgallaici,celtici); alguns poucos fenícios e cartaginesesRomanosSuevosbúrios e visigodos, bem como alguns poucos vândalos e alanos; alguns poucos bizantinosBerberes com algunsárabes e saqaliba (escravos eslavos); Judeus sefarditasAfricanos subsarianos; fluxos menos maciços de migrantes europeus (particularmente da Europa Ocidental). Todos estes processos populacionais terão deixado a sua marca, ora mais forte, ora só vestigial. Mas a base genética da população relativamente homogénea[70] do território português, como do resto da Península Ibérica, mantém-se a mesma nos últimos quarenta milénios: os primeiros seres humanos modernos a entrar na Europa Ocidental, os caçadores-recolectoresdo Paleolítico.
A população portuguesa é composta por 16,4% com idade compreendida entre os 0 e os 14 anos, 66,2% entre os 15 e os 64 anos e 17,4% com mais de 65 anos. A esperança média de vida é de 78,04 anos. Em termos de alfabetização, 93,3% sabem ler e escrever, tendo a taxa de analfabetismo vindo a descer ao longo dos anos.[71] O crescimento populacional situa-se nos 0,305%, nascendo 10,45 por cada mil habitantes e falecendo 10,62 por cada mil habitantes, o que faz com que a população não esteja a ser renovada, contribuindo para este facto a taxa de fertilidade que se situa nos 1,49.[72] Portugal é um dos países com mais baixa taxa de mortalidade infantil (5 por mil) no mundo.[73]
Evolução da população portuguesa entre 1961–2003 (número de habitantes em milhares; fonteFAO, 2005).
Apesar de Portugal ser um país desenvolvido, ainda existe população sem acesso a água canalizada e electricidade, embora em número bastante reduzido.[74] O saneamento básico ainda não abrange todo o território, sendo a região do Alentejo e de Lisboa e Vale do Tejo onde existe um maior número de população com acesso. Actualmente, ainda existe um grande número de habitações com fossa séptica, apesar de algumas não terem qualquer saneamento.[75] O acesso à saúde é garantido a toda a população, sendo o acesso aos medicamentos garantido a 95 – 100% da população.[76]
Vivem em Portugal perto de 550 mil imigrantes, o que representa aproximadamente 5% da população portuguesa, sendo a maioria oriunda do Brasil (66 700), seguida da Ucrânia (65 800) e de Cabo Verde (64 300), entre outros, tais como MoldáviaRoméniaGuiné-Bissau,AngolaTimor-LesteMoçambiqueSão Tomé e Príncipe e Rússia.

Geografia

Carta topográfica e da administração de Portugal.
Situado no extremo sudoeste da Europa, Portugal Continental faz fronteira apenas com um outro país, Espanha. O território é dividido no continente pelo rio principal, o Tejo. A norte, a paisagem é montanhosa nas zonas do interior com planaltos, intercalados por áreas que permitem o desenvolvimento da agricultura. A sul, até ao Algarve, o relevo é caracterizado por planícies, sendo as serras esporádicas. Outros rios principais são oDouro, o Minho e o Guadiana, que tal como o Tejo nascem em Espanha. Outro rio importante, o Mondego, nasce na Serra da Estrela (a montanha mais alta de Portugal Continental – 1993 m de altitude máxima, e a 2.ª mais alta de Portugal - apenas atrás daMontanha do Pico, nos Açores).[47]
Ilha do PicoAçores: o ponto mais alto de Portugal.
As ilhas dos Açores estão localizadas no rifte médio do Oceano Atlântico; algumas das ilhas tiveram actividade vulcânica recente: São Miguel em 1563, e Capelinhos em 1957, que aumentou a área ocidental da Ilha do Faial.[48] O Banco D. João de Castro é um grande vulcão submarino que se situa entre as ilhas Terceira e São Miguel e está 14 m abaixo da superfície do mar. Entrou em erupção em 1720 e formou uma ilha, que permaneceu acima da tona de água durante vários anos. Uma nova ilha poderá surgir num futuro não muito distante. O ponto mais alto de Portugal é a Montanha do Pico na Ilha do Pico, um vulcãoque atinge 2351 m de altitude.[49]
As ilhas da Madeira, ao contrário dos Açores que se situam na área do rifte médio do Oceano Atlântico, estão situadas no interior da placa africana e a sua formação deve-se à actividade de um ponto quente não relacionado com a circulação tectónica. Esta situação de estabilidade e localização no interior da placa tectónica leva a que este seja o território do país menos sujeito a sismos. A última erupção vulcânica de que há evidência ocorreu há cerca de 6000 anos, na ilha da Madeira, manifestando-se actualmente o vulcanismo de forma indirecta, através da libertação de gases vulcânicos profundos e águas quentes e gaseificadas descobertas aquando da abertura de túneis rodoviários e galerias de captação de água no interior da ilha principal. O ponto mais alto do território é o Pico Ruivo com 1862 m de altitude.[50]
A costa portuguesa é extensa: tem 1230 km em Portugal continental, 667 km nos Açores, 250 km na Madeira onde se incluem também as Ilhas Desertas, as Ilhas Selvagens e a Ilha do Porto Santo. A costa formou belas praias, com variedade entre falésias e areais. Na Ilha do Porto Santo uma formação de dunas de origem orgânica (ao contrário da origem mineral da costa portuguesa continental) com cerca de 9 km é um ponto turístico muito apreciado internacionalmente. Uma característica importante na costa portuguesa é a Ria de Aveiro, estuário do rio Vouga, perto da cidade de Aveiro, com 45 km de comprimento e um máximo de 11 km de largura, rica em peixe e aves marinhas. Existem quatro canais, e entre estes várias ilhas e ilhotas, e é onde quatro rios encontram o oceano.[51] Com a formação de cordões litorais definiu-se uma laguna, vista como um dos elementos hidrográficos mais marcantes da costa portuguesa. Portugal possuiu uma das maioreszonas económicas exclusivas (ZEE) da Europa, cobrindo cerca de 1 683 000 km².[52]

Clima

Sobreiro num campo de trigo, uma imagem típica da região do Alentejo.
Praia da Marinha, uma imagem típica da região doAlgarve.
Estância de esqui na Serra da Estrela, o ponto mais alto de Portugal continental.
Montanha do Pico, na ilha do Pico, nos Açores, é o ponto mais alto de Portugal.
A paisagem típica do Vale do Douro.
Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europacontinental.
Portugal tem um clima mediterrânicoCsa no sul e Csb no norte, de acordo com aclassificação climática de Köppen-Geiger.[53] Portugal é um dos países europeus mais amenos: a temperatura média anual em Portugal continental varia dos 13 °C no interior norte montanhoso até 18 °C no sul, na bacia do Guadiana.[53] Os Verões são amenos nas terras altas do norte do país e na região litorânea do extremo norte e do centro. O Outonoe o Inverno são tipicamente ventosos, chuvosos e frescos, sendo mais frios nos distritos do norte e central do país, nos quais ocorrem temperaturas negativas durante os meses mais frios. No entanto, nas cidades mais ao sul de Portugal, as temperaturas só muito ocasionalmente descem abaixo dos 0 °C, ficando-se pelos 5 °C na maioria dos casos.[54]
Normalmente, os meses de Primavera e Verão são ensolarados e as temperaturas são altas durante os meses secos de Julho e Agosto, podendo ocasionalmente passar dos 40 °C em boa parte do país, em dias extremos,[55] e com maior frequência no interior doAlentejo.[56] No Verão as temperaturas podem mesmo subir até aos 50 °C como está documentado num estudo climatológico realizado recentemente, por exemplo no Parque Arqueológico do Vale do Côa, no vale do Douro. Em algumas regiões, como nas bacias doTejo e do Douro, as temperaturas médias anuais podem chegar a atingir os 20 °C.
O maior valor da temperatura máxima do ar de 50,5 °C foi registada em RiodadesSão João da Pesqueira.[57] A precipitação total anual média varia de pouco mais de 3000 mmnas montanhas do norte a menos de 600 mm em zonas do sul do Alentejo.[53] O país tem à volta de 2500–3200 horas de sol por ano, e uma média de 4–6 horas no Inverno e 10–12 horas no Verão, com valores superiores no sudeste e inferiores no noroeste.[55][58]
neve ocorre regularmente em três distritos no norte do país (GuardaBragança e Vila Real) e diminui a sua ocorrência em direcção ao sul, até se tornar inexistente na maior parte do Algarve. No Inverno, temperaturas inferiores a -10 °C e nevões ocorrem com alguma frequência em pontos restritos, tais como a Serra da Estrela, a Serra do Gerês e aSerra de Montesinho, podendo nevar de Outubro a Maio nestes locais.[54]
Os arquipélagos da Madeira e Açores têm uma faixa mais estreita de temperatura, com temperaturas médias anuais que excedem os 20 °C, de acordo com o Instituto de Meteorologia, na costa sul da ilha da Madeira.[59] A precipitação total anual média no território continental varia de pouco mais do que 3000 mm nas montanhas do norte, até menos de 300 mm na região do vale do Massueime, próxima de Vila Nova de Foz Côa na bacia hidrográfica do Douro. Na Montanha do Pico, nos Açores, fica o local mais chuvoso de Portugal, atingindo os 6250 mm num ano, de acordo com o IM (Instituto de Meteorologia).[60]
As ilhas dos Açores situam-se na dorsal meso-atlântica ao passo que as ilhas da Região Autónoma da Madeira foram formadas pela actividade de um ponto quente, de forma semelhante às ilhas do Havai. Algumas ilhas tiveram recentemente actividade vulcânica, a mais conhecida, ocorreu em 1957.[61][62] Tanto as ilhas dos Açores como a da Madeira têm um clima temperado, mas existem diferenças entre as ilhas, principalmente devido a diferenças na temperatura e precipitação.
As ilhas dos Açores não têm meses secos no Verão, logicamente um clima temperado marítimo em que segundo Köppen-Geiger (Cfb) há uma ausência de meses secos noVerão.[63] Na vertente norte da ilha da Madeira apresenta-se um clima oceânico, enquanto que a vertente sul tem um clima mediterrânico, com maior humidade do que num clima mediterrânico típico, mas com menos humidade do que na vertente norte da ilha.[63] AsIlhas Selvagens, que se incluem no arquipélago da Madeira, têm um clima desértico (BWh) com uma precipitação total anual média de cerca de apenas 150 mm (5,9 pol.). As temperaturas médias à superfície do mar nestes arquipélagos variam dos 16 °C—18 °C, noInverno, aos 23 °C—24 °C, no Verão, atingindo ocasionalmente os 26 °C.

Restauração, absolutismo e liberalismo

Aclamação de D. João IVo Restaurador.
Após a restauração da independência de Portugal, seguiu-se uma guerra com Espanha que terminaria apenas em 1668, com a assinatura de um tratado de paz em que Espanha reconhecia em definitivo a restauração de Portugal.[32]
O final do século XVII e a primeira metade do século XVIII assistiram ao florescimento daexploração mineira do Brasil, onde se descobriram ouro e pedras preciosas que fizeram da corte de D. João V uma das mais opulentas da Europa. Estas riquezas serviam frequentemente para pagar produtos importados, maioritariamente de Inglaterra (por exemplo, quase não existia indústria têxtil no reino e todos os tecidos eram importados de Inglaterra). O comércio externo baseava-se na indústria do vinho e o desenvolvimento económico do reino foi impulsionado, já no reinado de D. José, pelos esforços do Marquês de Pombal, ministro entre 1750 e 1777, para inverter a situação com grandes reformas mercantilistas. Foi neste reinado que um violento sismo devastou Lisboa e o Algarve, a 1 de Novembro de 1755.[33]
Mapa anacrónico do Império Português(14151999).
Em vermelho - Possessões;
Em cor-de-rosa - Explorações, áreas de influência económica sobre supremacia;
Em azul - Explorações marítimas, rotas e áreas de influência.
Teoria da descoberta portuguesa da 
Austrália não está assinalada.
Por não quebrar a aliança com a Inglaterra e recusar-se a aderir ao Bloqueio Continental, Portugal foi invadido pelos exércitos napoleónicos em 1807. A Corte e a família real portuguesa refugiaram-se no Brasil, e a capital deslocou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceria até 1821, quando D. João VI, desde 1816 rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, regressou a Lisboa para jurar a primeira Constituição. No ano seguinte, o seu filho D. Pedro IV era proclamado imperador do Brasil.[34]
Portugal viveu, no restante século XIX, períodos de enorme perturbação política e social (aguerra civil e repetidas revoltas e pronunciamentos militares, como a Revolução de Setembro, a Maria da Fonte, a Patuleia, etc.) e só com o Acto Adicional à Carta, de 1852, foi possível a acalmia política e o início da política de fomento protagonizada por Fontes Pereira de Melo.[35] No final do século XIX, as ambições coloniais portuguesas chocam com as inglesas, o que está na origem do Ultimato de 1890.[36] A cedência às exigências britânicas e os crescentes problemas económicos lançam a monarquia num descrédito crescente, e D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe são assassinados em 1 de Fevereiro de 1908. A monarquia ainda esteve no poder durante mais dois anos, chefiada por Manuel II, mas viria a ser abolida em 5 de Outubro de 1910, implantando-se a República.

República, Estado Novo e Democracia

Hastear da bandeira portuguesa, durante a sua participação na I Guerra Mundial.
A República é pouco depois instaurada, em 5 de Outubro de 1910, e o jovem rei D. Manuel II parte para o exílio em Inglaterra.[37] Após vários anos de instabilidade política, com lutas de trabalhadores, tumultos, levantamentos, homicídios políticos e crises financeiras (problemas que a participação na I Guerra Mundial contribuiu para aprofundar), o Exércitotomou o poder, em 1926. O regime militar nomeou ministro das Finanças António de Oliveira Salazar (1928), professor da Universidade de Coimbra, que pouco depois foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros (1932).
Ao mesmo tempo que restaurou as finanças, instituiu o Estado Novo, regime autoritário de corporativismo de Estado, com partido único e sindicatos estatais, com afinidades bem marcadas com o fascismo pelo menos até 1945.[38] Em 1968, afastado do poder por doença, sucedeu-lhe Marcelo Caetano.
A recusa do regime em descolonizar as províncias ultramarinas resultou no início da guerra colonial, primeiro em Angola (1961) e em seguida na Guiné-Bissau (1963) e emMoçambique (1964). Apesar das críticas de alguns dos mais antigos oficiais do Exército, entre os quais o general António de Spínola, o governo parecia determinado em continuar esta política.[39] Com o seu livro Portugal e o Futuro, em que defendia a insustentabilidade de uma solução militar nas guerras do Ultramar, Spínola seria destituído, o que agravou o crescente mal-estar entre os jovens oficiais do Exército, os quais, no dia 25 Abril de 1974desencadearam um golpe de estado.[40]
A este sucedeu-se um período de confronto político muito aceso entre forças sociais e políticas, designado como Processo Revolucionário em Curso, com especial ênfase durante o Verão de 1975, a que se chamou Verão Quente, no qual o país esteve prestes a cair num novo período de ditadura, desta vez de orientação comunista. Neste período Portugalconcede a independência de todas as suas antigas colónias em África.[41]
"Foto de Família" na cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa.
25 de Novembro de 1975 diversos sectores da esquerda radical (essencialmente pára-quedistas e polícia militar na Região Militar de Lisboa), provocados pelas notícias, levam a cabo uma tentativa de golpe de estado, que no entanto não tem nenhuma liderança clara. O Grupo dos Nove reage pondo em prática um plano militar de resposta, liderado porAntónio Ramalho Eanes. Este triunfa e no ano seguinte consolida-se a democracia. O próprio Ramalho Eanes é no ano seguinte o primeiro Presidente da República eleito por sufrágio universal. Aprova-se uma Constituição democrática e estabelecem-se os poderes políticos locais (autarquias) e governos autónomos regionais nos Açores e Madeira.[42]
Entre as décadas de 1940-60, Portugal foi membro co-fundador da NATOOCDE e EFTA, saindo desta última em 1986, para aderir à União Europeia.[43] Em 1999, Portugal aderiu àZona Euro,[44] e ainda nesse ano, entregou a soberania de Macau à República Popular da China.[45] Desde a sua adesão à União Europeia, o país presidiu o Conselho Europeu por três vezes, a última das quais em 2007, recebendo a cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa.